EUA premia colaboração antidrogas da Venezuela e incentiva esforços de Colômbia e Bolívia
Os Estados Unidos retiraram, nesta quarta-feira (16), a Venezuela da lista de países que "falharam de forma demonstrável" na luta contra o narcotráfico, após 20 anos de inclusão nessa lista, em um novo gesto ao governo da presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.
O governo de Donald Trump também manteve na lista negativa a política antidrogas da Colômbia, mas elogiou os compromissos do novo presidente de direita, Abelardo de la Espriella, assim como o da Bolívia, onde assumiu Rodrigo Paz, também à frente de um novo governo conservador.
No documento, o governo americano ressalta que "embora muitos governos do hemisfério ocidental estejam adotando ações corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar os cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, designados organizações terroristas, que transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína".
"Estas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança ao redor do mundo, e o governo brasileiro deve adotar medidas urgentes para confrontar e derrotá-las antes que cresçam e se expandam", acrescentou.
Todos os anos, a Casa Branca divulga uma avaliação da luta contra as drogas em todo o mundo e, assim como em 2025, 23 países são considerados "grandes produtores" ou "países de trânsito de drogas".
Dessa lista, a Casa Branca destaca particularmente aqueles que "falharam de forma demonstrável" em seus compromissos internacionais de combate ao narcotráfico.
Este ano, são quatro: Afeganistão, Mianmar, Bolívia e Colômbia.
A Venezuela, por sua vez, fora da lista pela primeira vez desde 2005, "empreendeu uma mudança drástica de rumo após a detenção e remoção (...) do antigo ditador ilegítimo e narcotraficante Nicolás Maduro", explica o texto oficial.
"Já estamos vendo os resultados de uma cooperação crescente com o governo interino do país contra os cartéis", comemorou Trump na avaliação.
Ao retornar à Casa Branca, o presidente Trump decidiu equiparar legalmente a luta contra os cartéis ao combate ao terrorismo, uma decisão questionada por organismos internacionais.
Sobre a Colômbia, o relatório anual afirma que o país ainda não teve tempo de retomar o caminho anterior ao governo de esquerda de Gustavo Petro.
Mas "se, como esperado, avançar na erradicação agressiva da coca e no desmantelamento de suas redes narcoterroristas durante o próximo ano, considerarei retirar a condição de país que falhou de forma demonstrável", explica o texto.
"A cooperação entre Bolívia e Estados Unidos se ampliou significativamente durante o último ano", diz o texto, em referência ao governo do presidente Rodrigo Paz.
Mas "o novo governo ainda não teve tempo suficiente para reduzir o cultivo de coca, que aumentou sob o governo anterior" de esquerda, acrescenta.
O relatório é uma mensagem de incentivo aos aliados de Washington na região.
"As drásticas mudanças políticas na América do Sul durante o último ano criaram oportunidades históricas para a cooperação dos Estados Unidos com os governos da região", afirma.
O governo Trump iniciou há um ano uma campanha de ataques contra supostas embarcações do narcotráfico no Caribe e no Pacífico sem precedentes na história da região, que deixou pelo menos 215 mortos.
A campanha foi denunciada como uma série de execuções extrajudiciais por organismos da ONU e organizações não governamentais.
Além disso, Trump construiu uma aliança contra os cartéis, o Escudo das Américas, à qual vários países aderiram à medida que mudavam de orientação política.
O Peru foi o último a aderir à aliança, na qual os países da região se comprometem a ampliar a cooperação e até mesmo a realizar campanhas militares conjuntas, como Colômbia e Equador.
"O povo da Colômbia fez a corajosa escolha de eleger Abelardo de la Espriella como presidente", afirma o texto presidencial.
"A Colômbia está em condições de retomar seu lugar como nosso principal parceiro de segurança no hemisfério", acrescenta.
A nova embaixadora colombiana em Washington, María Consuelo Araújo, que apresentou na terça-feira suas credenciais a Trump, saudou o relatório.
Embora o país tenha permanecido na lista, o relatório "estabelece uma clara distinção entre a deterioração dos últimos anos e a nova etapa que se abre", explicou em um comunicado.
O governo Trump lembra que, apesar de Bolívia, Mianmar e Colômbia terem "falhado de forma demonstrável", a prestação de assistência continua sendo "vital para os interesses nacionais dos Estados Unidos".
Trump também elogia a colaboração do governo de Claudia Sheinbaum, mas adverte que "o México deve adotar medidas adicionais contra as organizações narcoterroristas que dominam amplas áreas de seu território e continuam representando uma ameaça para o povo americano".
Latest stories
Video Trump 'clearly' wants dialogue with Pyongyang, says South Korean president
South Korean President Lee Jae Myung says that US President Donald Trump clearly wants dialogue with Pyongyang. Trump, seeking to revive the bond he claims to have forged with North Korean leader Kim Jong Un in his first term, said last month that he plans to meet Kim later this year. Lee says it is "clear" that...
Business and Economy Russia seizes assets of Nestle, French firms over West's Ukraine support
Russian authorities have seized the businesses and assets of Swiss food giant Nestle and three French groups, a move the Kremlin defended Friday as a justified measure against firms representing...
Asia Business Stock markets diverge after central bank rate hikes
Global stock markets diverged and oil prices fell on Friday approaching the end of a week dominated by central bank moves to tame inflation driven...