Partido de Putin desponta como vencedor em eleições russas marcadas por ataque ucraniano
O partido Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin, conquista uma ampla maioria nas eleições legislativas, abaladas neste domingo (20) por um ataque ucraniano em larga escala contra Moscou.
Mais de 1.600 drones avançaram contra o território russo na madrugada deste domingo, terceiro e último dia de votação, que começou com duas pessoas mortas e uma refinaria de petróleo incendiada na capital.
Segundo os resultados oficiais divulgados por agências de notícias russas, com mais da metade das cédulas apuradas, o Rússia Unida obtinha 57,8% dos votos, contra 13,7% dos comunistas e 8,7% para os nacionalistas do LDPR.
Com essa tendência, o partido no poder já garante a manutenção de sua maioria de dois terços dos deputados na Duma, a Câmara baixa russa, de acordo com projeções da agência estatal TASS.
O Ministério da Defesa russo acusou a Ucrânia de querer "perturbar a vontade democrática dos cidadãos russos" e prometeu "intensificar" seus bombardeios contra Kiev.
Moscou foi alvo do maior ataque desde o início da guerra com a Ucrânia, em 2022. Cerca de 450 drones foram lançados contra a capital, afirmou seu prefeito, Sergei Sobianin.
Nos arredores da cidade, um drone atingiu um prédio de apartamentos, deixando a fachada queimada e vários andares destruídos, e um incêndio em uma refinaria provocou uma coluna de fumaça negra.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, assegurou que os ataques de domingo tiveram "um impacto muito importante na região de Moscou". Pelo menos duas pessoas morreram, informou o governador regional de Moscou, Andrei Vorobiov. Além disso, 400 foram evacuadas devido a um incêndio em um prédio residencial, acrescentou.
Outro drone ucraniano atingiu um ônibus na região de Kherson, controlada pela Rússia, causando dois mortos, entre eles uma funcionária da Comissão Eleitoral, anunciou o órgão.
As eleições para renovar as 450 cadeiras da Duma foram as primeiras legislativas desde a eclosão de uma guerra cada vez mais presente na vida cotidiana dos russos.
Em represália aos bombardeios contra suas cidades, a Ucrânia intensificou seus ataques contra a Rússia, alcançando os Urais e a Sibéria e provocando escassez de combustível devido aos ataques contra refinarias.
O Rússia Unida, vencedor de todas as eleições parlamentares desde 2003, entrou na disputa com a vitória praticamente assegurada. Todos os rivais que concorriam apoiavam as políticas de Putin e a operação na Ucrânia.
Único contrário à guerra, o partido Yabloko, foi excluído da disputa semanas antes pelo Tribunal Supremo.
Antes das eleições, Putin conclamou a população a participar e considerou o voto uma demonstração de apoio às tropas russas e uma "resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia".
A participação, uma das incógnitas do pleito, superava os 50% no meio do dia deste domingo, segundo a Comissão Eleitoral.
Em Moscou, o programador Igor Safronov, de 30 anos, optou pelo partido liberal Gente Nova "porque, antes de tudo, não queria votar no Rússia Unida".
Tatiana, por sua vez, disse confiar na legenda de Putin. "É o maior partido, o que mais trabalha e o mais produtivo", afirmou no sábado a mulher de 71 anos.
Além da chuva de drones ucranianos, a Comissão Eleitoral denunciou cerca de mil ciberataques contra a infraestrutura de votação.
A presidente do órgão, Ella Pamfilova, não apontou um responsável específico, mas afirmou que pareciam ser obra de "grupos altamente profissionais e bem coordenados que utilizam ferramentas de inteligência artificial".
Entre os opositores ao Kremlin, houve divergências sobre qual estratégia adotar nas eleições após a exclusão do Yabloko. Nos últimos anos, os adversários políticos de Putin foram em sua maioria empurrados ao exílio, e seu principal opositor, Alexei Navalny, morreu em uma prisão no Ártico em 2024.
Sua viúva, Yulia Navalnaya, conclamou os russos contrários à guerra a votar de forma sincronizada ao meio-dia de domingo, uma tática já usada nas eleições presidenciais de 2024. Mas o Yabloko discordou e argumentou que o melhor era se abster.
Em Berlim e Londres, dezenas de opositores exilados se manifestaram em frente às embaixadas russas com lemas como "A Rússia será livre", "Não à guerra" e "Digam não a Putin".
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